A reação natural da maioria das empresas, incluídos aqui os escritórios de advocacia, diante de uma situação de dificuldades como a atual é cortar gastos. Se pudermos usar uma metáfora, o momento é visto como o de jogar fora os pesos do balão para que o mesmo possa ficar mais leve e continuar sua trajetória sem tantos sobressaltos.

Se alguém ainda tinha dúvidas que a marolinha iria alcançar as terras brasileiras, já não tem mais. O que começou como uma situação de dificuldade financeira específica e localizada nos Estados Unidos, já é uma crise de proporções mundiais, com seu lugar marcado na história ao lado da grande depressão de 1929.
Apesar de inevitável não se tocar no assunto, o ponto fundamental desse artigo não é a crise em si, aspecto tratado 24 horas por dia em qualquer mídia que se tenha contato. Ao invés disso, nossa preocupação fundamental é com a reação das empresas diante dela, mais especificamente, dos escritórios de advocacia, com o qual temos contribuído há anos na seleção de profissionais que comporão suas equipes.
A reação natural da maioria das empresas, incluídos aqui os escritórios de advocacia, diante de uma situação de dificuldades como a atual é cortar gastos. Se pudermos usar uma metáfora, o momento é visto como o de jogar fora os pesos do balão para que o mesmo possa ficar mais leve e continuar sua trajetória sem tantos sobressaltos. Queremos aqui ressaltar três cuidados importantes para que essa ação atinja sua finalidade.
O primeiro aspecto, e talvez o mais importante, é não confundir os meios com os fins. Não deveria ser a razão última de uma empresa cortar custos, mas melhorar sua eficiência, seu lucro e crescer. Cortes de gastos podem ser um mal necessário, logo temporário e com uma finalidade específica. Falo disso porque em tempos bicudos é normal os olhos se voltarem gulosos para tudo quanto possa representar saídas de caixa, como se isso fosse resolver todos os problemas da empresa no médio e longo prazo. Não vai, exceto se o escritório tiver um plano estratégico mais amplo, que estabeleça a direção a ser seguida, bem como as ações de geração de negócios e receitas futuros.
Um segundo ponto a ser considerado é o estabelecimento de critérios para os possíveis cortes. Os gastos com pessoal são, sem dúvida, os mais expressivos para um escritório de advocacia, logo o senso comum diria que este é o ponto ótimo para a redução de custos. É importante lembrar, no entanto, que o trabalho da firma advocatícia se baseia no conhecimento que a mesma entrega aos clientes, materializado em petições, relatórios e demais serviços jurídicos. Ao dispensar funcionários competentes e que possuem uma relação estreita com o escritório, parte de seu conhecimento também se vai.
Assim, sem perceber, o escritório fica com sua capacidade de vender conhecimento reduzida, o que afeta sua reputação junto ao mercado em geral e só piora sua situação no médio e longo prazo. Essa espiral descendente poderá ser evitada se os sócios fizerem uma análise criteriosa de custos secundários, sacrificando itens que não são percebidos como valiosos pelos clientes (aquela reforma sedutora e os pisos em mármores da sede são mesmos necessários?!), e redobrando esforços na gestão das pessoas e dos serviços oferecidos aos clientes.
Por fim, é preciso lembrar algo que temos ressaltado sempre com nossos clientes do mercado jurídico: a função do advogado como administrador de negócios. Mais do que nunca, em um momento como esse o que está a prova não é a capacidade técnica dos sócios, mas sua competência para fazer acontecer os resultados que o escritório precisa. Estes, por sua vez, decorrem das prioridades que o gestor elege para si, dentre as quais devem receber força máxima a motivação da equipe e a satisfação dos clientes. O resto é secundário. Boa empreitada.
Sebastião de Oliveira Campos Filho é graduado em Marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie. É especialista em dinâmica de grupos pela Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupos (SBDG) e formado em Ontological Coaching pela Newfield Network – Washington DC (EUA), uma instituição credenciada pelo ICF (International Coaching Federation). É Diretor da Oliveira Campos Consultoria Empresarial.
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